ARTIGOS CIENTÍFICOS

A luz natural é a fonte de luz mais compatível com a resposta do olho humano, uma vez que apresenta uma parcela de radiação eletromagnética
compreendida entre os comprimentos de onda de 380 a 780nm. Tal espectro é perceptível à visão humana, a qual vem sofrendo adaptações há milhões de anos (BAKER et al., 1993; PEREIRA; SOUZA, 2000).

Essencial para o processo de visão e fundamental para os processos de relacionamento dos mecanismos cerebrais com o meio ambiente (OLIVEIRA, 2009), a luz é o espectro de energia radiante que um observador constata através da sensação visual, determinado pelo estímulo da retina ocular (CREDER, 2007). Ao penetrar no olho humano, promove a sensação de claridade e é também responsável pelo transporte de todas as informações visuais que são recebidas (NETO, 1980). 

Com características próprias à sua natureza, como o fato de ser variável, em intensidade e espectro ao longo do dia, de estações do ano e de local, a luz é capaz de controlar numerosos processos fisiológicos e psicológicos do ser humano, onde os efeitos se agrupam e se associam da seguinte forma: controle do relógio biológico, efeitos da luz sobre o sono, cura de doenças e do estado de ânimo e influência sobre o rendimento das atividades das pessoas. Estudos apontam que todos os organismos vivos obedecem a um ciclo de vinte e quatro horas chamado de ciclo circadiano,
responsável pelas funções vitais que se alternam entre um ritmo decrescente à noite e crescente durante o dia (GAETANO, 2002). Desta forma, a luz enquanto marcador temporal do relógio biológico humano faz com que, mediante uma iluminação adequada, as pessoas sejam capazes de produzir mais e melhor, podendo aumentar seu estado de alerta, melhorar a qualidade do sono, ou seja, o seu bem-estar (OLIVEIRA, 2009).

Desde os primórdios da civilização humana, luz e arquitetura têm caminhado juntas na concepção de espaços interiores. O uso correto da luz é capaz de tornar a arquitetura tão expressiva que tal característica de um ambiente construído pode caracterizar um determinado período histórico.

De acordo com Robbins (1986), a utilização da iluminação natural na arquitetura é a combinação e o arranjo das aberturas de uma edificação com a distribuição das superfícies internas e seus respectivos acabamentos necessários para prover o ambiente com uma distribuição de luz desejável. Um sistema de iluminação natural é composto por todos os elementos necessários para torná-la um sistema ambiental do edifício, com aberturas, fechamentos envidraçados, dispositivos de proteções solares, controle de iluminação artificial, entre outros. O histórico do uso da luz natural na arquitetura foi classificado pelo autor em duas fases: era Pré-Industrial
e Pós-Industrial.

Neste artigo apresentam-se os resultados da avaliação do grau de satisfação dos usuários com relação às áreas de uso coletivo e do entorno do Conjunto Residencial Floresta, produzido no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida, localizado na cidade de Viçosa, MG. Esse empreendimento, destinado à menor faixa de renda atendida pelo Programa, é constituído por um conjunto de cinco edifícios de 4 pavimentos, implantados num terreno de declividade bastante acentuada, totalizando 80 apartamentos. As áreas de uso comum restringem-se à área destinada a estacionamento de automóveis, a um cômodo destinado a reuniões e festas localizado num dos edifícios (Bloco 4) e a duas hortas, além das áreas de circulação vertical e horizontal, tais como o hall de entrada principal, escadas e hall defronte aos apartamentos. Para avaliação do grau de satisfação dos usuários, inicialmente foi realizado um diagnóstico das características e condições técnico-construtivas e funcionais das áreas condominiais, por meio de observação a olho nu (walkthrough). Em seguida, aplicou-se a Matriz Importância x Desempenho, mediante a aplicação de questionários. A amostra utilizada abrangeu um entrevistado por unidade habitacional, totalizando 76 questionários. Os resultados da pesquisa indicaram que, numa escala de 0% a 100%, todos os quesitos tiveram média de avaliação acima de 50% quanto à importância. Entretanto, das 45 questões apresentadas, 22 indicaram insatisfação do morador, destacando-se as más condições de segurança e a falta de equipamentos e serviços comunitários, como escola, creche, posto de saúde e serviços de Correio.

Diversos estudos têm evidenciado a importância da manutenção predial para garantir os níveis de desempenho e segurança da edificação ao longo de sua vida útil. Compreender sua importância ainda na fase de concepção do projeto, possibilita o prolongamento da vida útil do edifício e a garantia de segurança e conforto para seus usuários. Considerando os benefícios que a manutenção pode gerar na edificação, no presente artigo faz-se uma abordagem da importância da prevenção quanto à manutenção predial já na fase projetual da edificação. Metodologicamente, explora-se o uso da técnica 5W2H1S para investigação das manifestações patológicas e da matriz SWOT para direcionamento das ações de manutenção no estudo de caso realizado nos elementos de fachada do edifício da Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa, com o intuito de contribuir para corrigir perdas de desempenho, algo ainda pouco observado de modo sistêmico na realidade dessa tipologia no Brasil.

A partir de 2009, os empreendimentos destinados à habitação de interesse social no Brasil têm sido construídos com o apoio do Minha Casa Minha Vida, Programa do Governo Federal em parceria com estados, municípios, empresas e entidades. Esse Programa constitui a mais importante estratégia direcionada à redução do déficit habitacional brasileiro desde o BNH, a despeito das razões subjacentes à sua proposição. Apesar de seu expressivo desempenhoquantitativo e do curto tempo de implementação, muitas edificações recém-entregues aos moradores dos conjuntos habitacionais têm apresentado patologias e problemas construtivos. O presente artigo é parte do estudo de caso realizado na disciplina de mestrado intitulada “Avaliação Pós-Ocupação do Ambiente Construído”, que teve como objeto a avaliação técnico-construtiva do Conjunto Residencial Floresta, destinado a famílias com renda inferior a três salários mínimos, localizado em Viçosa, Minas Gerais. Trata-se de um condomínio vertical composto por cinco blocos de quatro pavimentos, com quatro apartamentos por pavimento, totalizando 80 unidades habitacionais. A pesquisa compreendeu o levantamento da memória do projeto e o levantamento de campo por meio do método walkthrough, acompanhado de registro fotográfico e da descrição de patologias observadas “in loco”. Posteriormente realizou-se a avaliação analítica do sistema construtivo a partir dos critérios de desempenho propostos na ABNT NBR 15575-1 Edificações Habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos Gerais. Como resultado constataram-se manifestações patológicas de diversas naturezas, decorrentes tanto de falhas de projeto quanto de execução, além de problemas decorrentes da falta de manutenção dos blocos de edifícios. As constatações apresentadas nesse estudo contribuirão para a ampliação do estado da arte acerca dos resultados do Programa Minha Casa Minha Vida, bem como para o aprofundamento na utilização da norma de desempenho recém-aprovada. Além disso, apresentam-se recomendações e diretrizes projetuais, com a finalidade de orientar a elaboração do projeto arquitetônico e a execução de novos empreendimentos habitacionais.

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Confira abaixo artigos escritos pela arquiteta Juliana Mara ao longo de sua carreira como professora universitária:

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Arquiteta e lighting designer em Juiz de Fora / MG